Metamorfose...





Ela tinha certeza de tudo... A menina tinha um cronograma que especificava cada minuto de seus dias até o fim de sua vida. Ela sabia quantos fios de cabelo tinha, quantos quilos pesava, quantas palavras tinham em seu livro, quantos amigos sinceros tinha e quantos dias faltavam para seu sonho virar realidade. Ela tinha tudo programado. Tudo muito mecanicamente articulado. Tudo artificial e em perfeito estado.

Ela parecia um robô. Tinha resposta para tudo, sabia o que fazer para agradar os outros, sabia como corresponder expectativas e levava a vida nesse ritmo... Só que ela não sabia o mais importante: Ela não sabia deixar a vida levar seu próprio ritmo! A sonhadora, doce e inocente menina queria ser a Ditadora de sua própria vida e, por isso, se aprisionava num casulo com guardas e cercas, privando-se de ver o que o mundo tinha para oferecer. Ah... E o mundo soube chamar a sua atenção da pior maneira possível!

Naquele dia que ela tanto esperava, uma granada explodiu sobre suas certezas e tudo virou um mar de incertezas e de inseguranças. Aquela bolha imaculada se rachou, e a menina respirou o ar da vida, aquela vida magoada por ser ignorada por tanto tempo. Aquela vida cobrou o tempo perdido e as coisas perdidas. Aquela vida disse que podia existir um pouco de vida em sua rotina. Aquela vida disse que ela precisava viver. Aquela vida ensinou que a menina tinha que ter um pouco de incerteza em suas certezas mecânicas. Afinal, não há graça num mundo programado. Para que você cresça e aprenda, o mundo precisa ser um mistério a ser desvendado e, para isso, você não deve hesitar, sentir medo ou se trancafiar num casulo.

Nesse impacto, o casulo da menina quebrou. Rachou do começo ao fim e tirou tudo aquilo que era certo. Nessa batida, a única coisa que ficou foi a menina, agora transformada. Aquela menina que só conhecia o mundo como uma lagartinha, pequenina demais para ser notada no mundo dos grandões, virou borboleta. Uma borboleta livre para voar e conquistar o mundo. Sem casulo. Sem certeza. Sem pudor. Só com a vida e com seus sonhos.
***

Oi, galera! Só passei aqui para compartilhar esse pequeno texto com vocês!
Espero que tenham curtido!

Beijos da Alê!

4 comentários

  1. Respostas
    1. Awnnnn! Fico feliz que tenha gostado, professor querido! Sua opinião é importante demais para mim!
      Obrigada pelo carinho! Beijos!

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  2. Respostas
    1. Awnnnnn! Que bom que gostou, Rapha! Obrigada pelo carinho <3

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